O setor de fruticultura do Brasil movimenta R$ 15 bilhões anualmente e colocou o país como o terceiro maior produtor de frutas do mundo. No entanto, um estudo realizado pela Oxfam Brasil e pela Molina Consulting revela que esse crescimento financeiro é sustentado por graves violações de direitos trabalhistas, adoecimento e descarte de mão de obra.
De acordo com a pesquisa "Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural", que analisou as cadeias produtivas de manga, uva e maçã no Vale do São Francisco (BA/PE) e na Serra Gaúcha (RS), os trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas que podem ultrapassar 16 horas diárias. No Sul, há exposição a temperaturas de até 9 graus negativos, enquanto no Nordeste os trabalhadores reduzem o consumo de água para bater metas de colheita.
O levantamento também aponta a subnotificação de acidentes de trabalho e contaminações por agrotóxicos. Além disso, a instabilidade nos contratos é alta: dos mais de 117 mil registros formais em 2024 nas regiões estudadas, apenas 39,2% seguiam ativos em dezembro. A disparidade salarial também atinge grupos específicos, com mulheres negras recebendo em média R$ 1.449, enquanto homens brancos na mesma função ganham R$ 2.494.
