A maioria dos religiosos rejeita a transformação de igrejas em espaços de campanha eleitoral ou a indicação de votos por lideranças religiosas, conforme aponta a pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil. O levantamento foi realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria.

De acordo com os dados divulgados, 90% dos entrevistados são contrários a campanhas eleitorais dentro de espaços religiosos, 83% rejeitam a indicação de voto por padres e pastores, e 82% são contra discussões políticas durante cultos e missas. A pesquisa ouviu 15 mil pessoas presencialmente em 412 municípios brasileiros entre janeiro e fevereiro, com margem de erro de 1%.

A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, explicou que a influência da religião na política ocorre atualmente de forma mais difusa, por meio da formação de valores e redes digitais de confiança, como o WhatsApp, e não pela transferência direta de votos nos templos. O levantamento também indica que, embora haja traços conservadores em pautas morais, o segmento apresenta divisões internas e apoia amplamente políticas sociais e educacionais específicas.