A resistência e a hesitação em relação às vacinas contra gripe e covid-19 continuam a colocar gestantes e puérperas em risco no Brasil, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Em 2025, apenas 55% das grávidas se vacinaram contra a covid-19, enquanto a imunização contra a influenza alcançou 63% nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. A meta estabelecida para ambos os imunizantes é de 90%.
Dados levantados pela pasta a pedido da Agência Brasil mostram que, entre 2022 e o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) após infecção por influenza, resultando em 25 mortes. No mesmo período, a covid-19 provocou ao menos 205 casos graves e 21 óbitos no grupo. Durante os anos de 2020, 2021 e 2022, foram registrados 3.547 casos de SRAG por covid-19 em gestantes, com 811 mortes.
Especialistas ouvidas na reportagem apontam diferentes razões para os baixos índices. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta a desvalorização da doença no caso da gripe e a propagação de mitos sobre a segurança da vacina contra a covid-19. Já a ginecologista Giuliane Lajos, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), destaca que as modificações no sistema imunológico e a diminuição do espaço pulmonar tornam as grávidas mais vulneráveis a infecções graves.
