As eleições deste ano alcançaram a marca histórica de quase 2 milhões de eleitores com deficiência aptos a votar, representando o maior número já registrado pela Justiça Eleitoral. No entanto, o pleito revelou desafios relacionados à acessibilidade e à infraestrutura de votação em locais como o Rio de Janeiro.

Alexandre Prudente, um eleitor cadeirante, relatou dificuldades ao se deslocar entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Igreja Metodista após descobrir uma mudança em sua seção eleitoral. Apesar de contar com prioridade, o eleitor afirmou ter enfrentado filas e demorado mais tempo para registrar seus votos.

Outros eleitores também apontaram problemas estruturais. Isaura dos Santos, de 77 anos, criticou a necessidade de subir escadas em um colégio eleitoral na Zona Sul do Rio de Janeiro devido à falta de elevador e iluminação adequada. Já a atriz Isabela Quadros acompanhou sua mãe, Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, e elogiou o apoio da mesária diante das limitações estruturais da escola.

Para acompanhar o aumento de eleitores com deficiência — que passaram de 1,3 milhão em 2022 para 1,9 milhão —, a Justiça Eleitoral informou que ampliou o número de seções eleitorais adaptadas para 220,5 mil. A instituição também destacou que realiza vistorias periódicas nos locais de votação, muitas vezes cedidos por redes públicas de ensino ou instituições parceiras, cujas condições podem variar ao longo dos anos.

A legislação garante prioridade de atendimento a eleitores com deficiência e permite o ingresso na cabine de votação com um acompanhante maior de idade. Além disso, as urnas eletrônicas contam com recursos de acessibilidade, como teclado em braile e instruções por áudio transmitidas por fones de ouvido fornecidos pela Justiça Eleitoral.