O avanço de partidos mais conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais deve modificar a agenda legislativa a partir de 2027, com maior destaque para temas como segurança pública, valores e família. A avaliação foi feita pelo economista e cientista político Jeferson Ramos dos Santos, professor da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Rádio Nacional.

Segundo o especialista, as campanhas regionais priorizaram o custo de vida, a segurança e valores familiares, refletindo uma demanda do eleitorado que não teria sido tratada de forma adequada pelo governo federal. Por outro lado, o analista observou que a recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF) teve menor impacto direto nas urnas, embora a instituição deva ser alvo de debates legislativos no Senado, incluindo possíveis mudanças no desenho institucional e limitação de mandatos de ministros.

Em relação à pauta trabalhista, como a votação sobre o fim da escala 6x1 prevista para a semana, o professor acredita que a nova configuração do parlamento pode gerar postergações até que os blocos e lideranças se posicionem. Além disso, o resultado do segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), separados por uma pequena margem de votos segundo o TSE, influenciará o reequilíbrio das pautas legislativas a partir de fevereiro de 2027.