Uma pesquisa realizada com tartarugas-verdes (Chelonia mydas) no estado do Rio de Janeiro revelou que a espécie abriga tipos de bactérias semelhantes aos encontrados em resíduos de plástico no ambiente marinho. O estudo foi conduzido pelo professor Filipe Berbeti e orientado pelo coordenador Henrique Fragoso dos Santos, vinculados ao Laboratório de Microbiologia Ambiental e Microbiotecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O trabalho também contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do projeto Aruanã, focado na conservação de tartarugas-marinhas na Baía de Guanabara. Durante a investigação, cinco tartarugas coletadas pelo projeto na praia de Itaipu, em Niterói, tiveram seus microrganismos analisados e comparados com amostras de plástico, água do mar e algas da região.
Segundo os resultados publicados na revista Environmental Pollution em agosto, a microbiota das tartarugas apresentou maior similaridade com a encontrada nos plásticos do que com a presente nas algas, principal alimento dos animais. Entre os gêneros de bactérias identificados em comum estão Vibrio, Pseudomonas, Bacillus, Staphylococcus, Streptococcus, Chryseobacterium e Clostridium, grupos que incluem espécies causadoras de doenças em animais e humanos. No entanto, os pesquisadores ressaltam que não foram feitas análises para confirmar se os microrganismos eram patogênicos aos animais.
