A alopecia areata é uma doença autoimune caracterizada pelo ataque do próprio organismo aos folículos pilosos, resultando na queda de cabelo e pelos em diferentes partes do corpo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a condição atinge cerca de 2% da população global e se manifesta de forma imprevisível e cíclica, podendo surgir em qualquer fase da vida.

A médica dermatologista Enilde Borges Costa, integrante da SBD, explica que o diagnóstico é essencialmente clínico, realizado no consultório por meio do exame das áreas afetadas, já que não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos para confirmar a doença. Embora a alopecia tenha componentes genéticos e possa ser desencadeada por estresse intenso ou infecções, a especialista alerta que culpar apenas o fator emocional pode sobrecarregar o paciente.

O tratamento da alopecia areata envolve o uso de medicamentos como corticoides, aplicados de forma oral, injetável ou tópica. Contudo, o uso prolongado dessas substâncias pode acarretar efeitos colaterais graves, como a perda de densidade óssea (osteopenia). Diante dos riscos e da possibilidade de os medicamentos perderem a eficácia ao longo do tempo, muitos pacientes optam por interromper as intervenções químicas e focar no suporte psicológico.

Para auxiliar no acolhimento de quem convive com a condição, foi criado em São Paulo o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP). O espaço promove reuniões mensais e canais de conversa para troca de experiências. Pacientes e familiares relatam que o fortalecimento da autoestima e a terapia são caminhos fundamentais para lidar com a perda dos fios e aceitar a própria imagem sem a necessidade de disfarces.