A próxima legislatura do Congresso Nacional contará com a maior bancada feminina da história, conforme apontam os resultados eleitorais. Na Câmara dos Deputados, o número de mulheres eleitas subiu de 90 para 109, um crescimento de 21% em relação ao pleito anterior. O avanço ocorreu mesmo com a queda no total de candidatas ao cargo, que passaram de 3.317 em 2022 para 2.820 em 2026.
No Senado Federal, os eleitores escolheram 12 mulheres entre as 54 vagas em disputa, o maior número desde a redemocratização. Com isso, a presença feminina na Casa passará de 15 para 18 integrantes no próximo ano, alcançando 22,2% das 81 cadeiras. As parlamentares eleitas assumem os mandatos em fevereiro, com permanência até 2035.
Entre os partidos, a federação composta por PT, PCdoB e PV foi a responsável por eleger a maior parcela da bancada na Câmara, com 34 das 109 parlamentares. Em termos regionais, o Distrito Federal elegeu duas mulheres e tornou-se a única unidade da Federação com três senadoras. Por outro lado, o Piauí permanece como o único estado que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
Apesar do aumento geral, a professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli apontou que a expansão numérica não garante políticas focadas nas mulheres, destacando a diversidade de posições políticas entre as eleitas. No recorte racial, a organização Mulheres Negras Decidem registrou a eleição de pelo menos 15 deputadas federais negras em 2026, alta de 66,6% frente a 2022. No entanto, nenhuma mulher negra foi eleita para o Senado nesta disputa.
